Projeto do MHN

UNIVERSIDADE ESTADUAL DA PARAÍBA

DEPARTAMENTO DE BIOLOGIA

LABORATÓRIO DE ARQUEOLOGIA E PALEONTOLOGIA – LABAP/UEPB

 

 

PROJETO:
CRIAÇÃO E IMPLANTAÇÃO DO MUSEU DE HISTÓRIA NATURAL DA UEPB.

 

PROFESSORES RESPONSÁVEIS:

JUVANDI DE SOUZA SANTOS

MÁRCIO MENDES

 

 

CAMPINA GRANDE – PB,
ABRIL DE 2009.

1. RELEVÂNCIA E JUSTIFICATIVA.

A sobrevivência da vida no planeta depende da implantação de políticas que levem, em curto prazo, ao desenvolvimento sustentado através da proteção e manutenção do nosso patrimônio natural e cultural. Entretanto, a aplicação de políticas ambientais e culturais bem sucedidas depende fundamentalmente de uma base sólida de informação acerca da biodiversidade local e de sua relação com o ambiente (ZAHER e YOUNG, 2003).
Tomando por base os conceitos apresentados pelo Conselho Internacional dos Museus (ICOM), podemos defini-lo como uma instituição cultural com caráter permanente, aberta ao público, sem fins lucrativos, em que se conservam, estudam e, em parte, se expõem os materiais testemunhos da evolução do Universo, dos ambientes físico, biológico e social do mundo passado e atual e das realizações do Homem ao longo da sua existência. Desta definição derivam imediatamente quais são as funções inerentes a qualquer Museu: conservação, exposição, ação cultural, investigação (BRAGANÇA-GIL, 1988).
Segundo Zaher e Young (2003), a partir do século XIX os Museus de História Natural conquistaram um papel preponderante nas Ciências Biológicas e afins, como centros de estudo da biodiversidade e, no decorrer dos anos, a pesquisa em sistemática, através de coleções científicas, passou a representar a espinha dorsal do conhecimento em biodiversidade. Tendo, atualmente, os Museus de História Natural função principal de armazenar, preservar e ordenar o acervo de espécimes representando a diversidade biológica de organismos (fósseis e atuais) que povoaram o planeta até os dias de hoje, bem como materiais que mostrem o processo de desenvolvimento dos grupos humanos de uma dada região.
Para Saad (1998), os objetivos fundamentais dos Museus de Ciências eram basicamente adquirir e preservar a herança científica e tecnológica e explicar a construção, uso e operação de máquinas e ferramentas. Assim, até a primeira metade do século XX, estes cultivavam e reproduziam gabinetes de curiosidades, onde se acumulavam objetos e coleções a fim de garantir a preservação da cultura e da ciência. Atualmente, devido ao grande avanço da tecnologia e da presença da ciência no cotidiano dos indivíduos, os centros de ciências e de museus incorporaram outros objetivos, que visam não apenas a preservação, mas também a necessidade de despertar o interesse pelo conhecimento científico e pela experimentação.
Vários educadores consideram que as escolas não são os únicos espaços para o processo de aprendizagem ou sobre a natureza da ciência como uma atividade intelectual (LUCAS, 1991; UCKO, 1985), principalmente num país onde uma grande parte da população esteve ou está fora dela. Desta forma, a instituição escolar não pode ser vista o único meio a oferecer à sociedade a (in) formação técnico-científica e humanística necessária para o entendimento do mundo. Logo, os museus interativos de ciência apresentam-se como um espaço educativo complementar à educação formal, possibilitando a ampliação e a melhoria do conhecimento científico de estudantes, bem como, da população em geral (CONSTANTIN, 2001).
Museus/Centros de Ciências e escolas exercem a tarefa educativa caracterizada por aspectos diferenciados: nos museus os objetos representam do processo de ensino-apredizagem e não os indivíduos; caracterizam-se como espaços de livre escolha; não são marcados por processos avaliativos e nem por competição; o público alvo é heterogêneo; as situações de aprendizagem são interativas e estimulam o aprender em grupo, atuando fortemente no emocional dos visitantes. Desta maneira, gera condições propicias a aprendizagem e estimula o interesse pelo mundo da ciência e suas aplicações (SAAD, 1998).
Segundo Coutinho-Silva et alli (2005) existe uma fraca comunicação entre os pesquisadores e a sociedade. Assim, iniciativas que promovam a aproximação entre a ciência e a sociedade se fazem urgentes e parte dessa tarefa cabe aos próprios cientistas. Segundo Constantin (2001: 197),
O cientista moderno não é somente um indivíduo que busca novos fatos – ele opera também como um decodificador, capaz de, em sua especialidade, extrair e tornar acessível ao público os avanços na sua área específica de trabalho e uma universidade será tanto mais eficaz em sua função social, quanto mais cientistas-decodificador dispuserem em seus quadros.
A partir do século XIX até o século XX os museus passaram por mudanças observadas em todo mundo, tornado-se em meados da década de oitenta espaços interativos de preservação e divulgação do conhecimento produzido. Surgem assim, o Espaço Ciência Viva e o Museu de Astronomia e Ciência no Rio de Janeiro, além de outros em diferentes Estados do país (CONSTANTIN, 2001).
Em um estudo sobre centros e museus de ciências do Brasil, realizado por Cury (2000), concluiu-se que, quase dois terços das instituições apresentadas neste estudo são jovens (62,2% têm até 20 anos). Situam-se, na sua maioria, nas regiões Sudeste, Sul e, em menor escala, no Nordeste.
A implantação do Museu de História Natural na UEPB faz-se necessária por representar um meio de identificar, mensurar, e conservar o rico acervo cientifico (Arqueológico, Faunístico, Florístico, Geológico e Paleontológico) regional, promovendo subsídios para o planejamento do uso sustentável dos recursos, bem como a divulgação e a popularização deste conhecimento. Vale ainda ressaltar a carência de espaços interativos de Museus de Ciências na área de abrangência da UEPB no distrito geo-educacional,.

2. OBJETIVOS
2.1. OBJETIVO GERAL

Criação e implantação do Museu de História Natural da UEPB como um espaço interativo e permanente de produção, divulgação e popularização do conhecimento.

2.1 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

1. Criar e implementar o Museu de História Natural da UEPB, para apresentar a comunidade parte do acervo arqueológico, paleontológico, faunístico, florístico e geológico da região de Campina Grande e adjacências;
2. Pesquisar sobre as evidências da cultura material, como também o material faunistico, floristico, geológico e fossilífero do estado da Paraíba;
3. Inventariar todo o acervo arqueológico, paleontológico e geológico da UEPB;
4. Identificar a quais grupos humanos pertencem estas evidências; assim como identificar o acervo paleontológico e geológico;
5. Documentar todo o acervo arqueológico, paleontológico e geológico;
6. Informatizar e qualificar o acervo, de forma a tornar mais fácil o seu acesso;
7. Incentivar a capacitação e qualificação dos profissionais (professores e alunos) ligados a este projeto;
8. Realizar trabalho de coleta de material para o acervo do museu junto aos municípios que compõem o estado da Paraíba;
9. Tornar público o museu, com acesso fácil, rápido e gratuito para a comunidade acadêmica e a população em geral do estado da Paraíba;
10. Aumentar o interesse das pessoas pela ciência;
11. Produzir e divulgar o conhecimento científico de forma “popular”.

3. CARACTERIZAÇÃO DO TEMA (MUSEU)

Identifica-se o Patrimônio Cultural de um país como o conjunto dos produtos artísticos e técnicos, das expressões literárias, lingüísticas e musicais, dos usos e costumes de todos os povos e grupos étnicos do passado e do presente. Neste sentido, entende-se que o patrimônio cultural de um povo é toda a sua cultura, seus produtos culturais, e sua simbolização e os bens imateriais e materiais.
Falar de patrimônio cultural exige falar de museu porque esta instituição foi criada especialmente para preservá-lo. Sua estreita relação com este mesmo patrimônio estabelece sua função primordial que é a preservação, e dela se desprendem as outras de investigação, conservação, salvamento, resgate, tombamento e exibição com fins de educação, pesquisa, lazer e troca de experiência e conhecimento, além de preservar os resquícios das culturas pretéritas.
Do ponto de vista de seu impacto técnico – cientifico, cultural, econômico e/ou social, a relevância do tema é evidente, tendo em vista o importante acervo de evidências materiais que pertencem ao Centro de Humanidades, principalmente das origens dos primeiros homens da nossa região.
Outro fator que comprova a relevância do tema é o significativo acervo paleontológico, que após a sua analise, revelará muitas informações sobre importantes espécies da flora e fauna da região, Estado e país, como também, a facilidade em resgatar esses bens, já que é comum em todo o Estado e país, como também, a facilidade em resgatar esses bens, já que necessitam serem resgatados e estudados, haja vista o avançado processo de destruição dos mesmos.

4. PESQUISAS ARQUEOLÓGICAS, PALONTOLÓGICAS E GEOLÓGICAS PRÉVIAS.

O acervo arqueológico, paleontológico e geológico se origina de coleções particulares que ao longo dos anos foram sendo doadas. Algumas destas peças fazem parte dos sítios que já foram pesquisados, cujo trabalho vem sendo desenvolvido por alunos e professores de vários Departamentos da Instituição.
O potencial arqueológico, geológico, florístico e faunístico e paleontológico da Paraíba é muito grande; neste sentido podemos dizer que a região vem sendo alvo em monografias, relatórios e de atividades diversas de pesquisas que culminam com bens materiais coletados em campo.
Além das pesquisas oficiais os achados vêm sendo registrados, através da relevante quantidade de material arqueológico e paleontológico encontrados nas casas de muitos habitantes da região (como detectado recentemente em atividade de campo) e que através da educação patrimonial poderá ser doado ao museu.

5. METODOLOGIA

O museu de História Natural da UEPB será o fiel depositário de todo o acervo arqueológico da região, doado ou fruto de pesquisas. Está sendo criado com o objetivo de incorporar a museologia ao processo de pesquisa e extensão, considerando que só assim haverá condições de sustentar um amplo trabalho de socialização do conhecimento que deve ser, sempre, a finalidade do trabalho científico.
A divulgação museológica deve ocupar espaço preponderante, na medida em que a linguagem do objeto (fato museal) reúne um conjunto de códigos mais abrangentes, o que possibilita um efetivo processo de comunicação entre academia e comunidade.
As atividades para a organização e criação do Museu, estarão embasadas pelas normas internacionais vigentes, além da assessoria voluntária que será prestada por profissionais das áreas competentes e préstimos e auxilio de outros museus.
A reflexão sobre a utilização do museu para a comunidade da pesquisa científica passa, necessariamente, pela utilização do museu, também, como agência educativa. A relação cada vez mais estreita entre a museologia e a educação, tem suas raízes na especificidade do fato museal, que coloca o sujeito do conhecimento frente ao objeto exposto de forma que possa recolher tudo o que se tentou preservar.
Consideramos que o trabalho museológico necessita de uma proposta conceitual muito clara que se desenvolva através de etapas, sistematicamente avaliadas. Essas etapas devem ser encaradas como experiências que reflitam a proposta museologia e propiciem a aplicação de técnicas museográficas, voltadas principalmente, a comunidade, e com um grande compromisso educacional, sendo acima de tudo, uma atividade interdisciplinar.
Entendemos que o processo museológico é o conjunto sistêmico e cronológico de experiências que possibilitam a transmissão do conhecimento através da linguagem do objeto, levando-se em consideração a sua natureza, as particularidades da área do conhecimento em que está inserido, acima de tudo, o publico.
A estruturação de um museu e seu desenvolvimento devem está apoiados em um processo de pesquisa museologica, em que a investigação deve estar centrada na aferição das possibilidades de resgate, conhecimento e emoção que o público consegue obter através do objeto.
Para tanto, faz-se necessário estabelecer e seguir algumas metas, descritas a seguir:

5.1. METAS:

A principal meta deste projeto é a criação e implementação do Museu de História Natural da UEPB envolvendo o Laboratório de Arqueologia e Paleontologian- LABAP e o Departamento de Ciências Biológicas, que irá fornecer informações para as comunidades em geral. Com o decorrer da atividade museológica, será implantado um laboratório que vise incentivar pesquisas nessas áreas do conhecimento científico.
Na mostra arqueológica, paleontológica e geológica permanente, as metas propostas estarão centradas no desenvolvimento da museologia com ênfase especial na reflexão sobre a importância do objeto em um processo educacional permanente, uma vez que ele reúne significados que traduzem sua técnica de confecção, lembram os homens que o criaram e utilizaram, e os animais do passado além de mostrar os processos de transformações pela qual passou o nosso planeta, extrapolando, desta forma, sua materialidade. Neste sentido, surgindo também como possibilidade de recriar a memória dos que perderam a visibilidade de suas vidas, suas resistências e projetos, como também revelando espécies da flora e fauna extintas.
Como a região de Campina Grande engloba vários municípios e, a maioria deles tem alunos que estudam no na UEPB, formaremos equipes de alunos voluntários e/ou bolsistas com o objetivo de resgatar e catalogar, em seus respectivos municípios, material para ser depositado no museu, que ficará a disposição de todas as comunidades domiciliadas na Paraíba.
É objetivo nosso usarmos monitores (com bolsa de apoio), para realizarem as atividades diversas relacionadas ao museu, já que o mesmo será aberto à comunidade para visitação e pesquisas.

5.2. FASES:

Para criação e implementação do museu, serão obedecidas as seguintes fases:

1. Catalogação de todo o material já existente nas dependências da UEPB, sejam eles materiais Geológico (minerais e rochas), Paleontológicos (fósseis) e Arqueológicos (fotografias de sítios arqueológicos, material lítico, cerâmico etc.);
2. Treinamento de dois (02) monitores para prestarem por um período inicial de um (01) ano, serviços diversos ao museu, principalmente o de realizarem palestras nas escolas da região e de receberem os alunos das escolas do ensino fundamental e médio do estado da Paraíba;
3. Divulgação do museu em toda a Paraíba e Estados circunvizinhas;
4. Início do processo de recebimento dos alunos e visitantes, com datas e agendamentos a serem traçados a posteriori.

6. CRONOGRAMA

7. RESULTADOS ESPERADOS

Os resultados serão considerados satisfatórios se os principais objetivos forem alcançados, ou seja, que o projeto se desenvolva obedecendo todas as etapas propostas:

• Implementação do museu;
• Atendimento a clientela da Universidade e comunidade escolar;
• Desenvolvimento de pesquisas no campo da Arqueologia, Geologia, Fauna e Flora e Paleontologia;
• Formação de monitores e pesquisadores.

8. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS BÁSICAS

BRAGANÇA GIL, F. Museus de Ciência. Preparação do futuro, memória do passado. Revista de Cultura Científica, v.3 ., 1988. pp. 72-89.
CONSTANTIN, A. C. C. Museus interativos de ciências: espaços complementares de educação? Interciência.v.26.n.5. 2001. pp.195-200.
CURY, M. X & BARRETO, M. I. (Org.). 2000. Estudo dobre Centros e Museus de Ciências: subsídios para uma política de apoio. Disponível em: http://www.abcmc.org.br. Acesso em: 10 de jul. 2007.
MILLER, E. Pesquisas arqueológicas paleoindígenas no Brasil Ocidental. Chile: Estudios Atacameños, 1987.

¬¬¬______. Etnoarqueologia: implicações para o Brasil. Arquivos do Museu de História Natural. Vol. VI/VII, Belo Horizonte – MG.

SAAD, F. D. Centros de Ciências: As atuais vítimas do mundo da difusão científica. In: CRESTANA S.; CASTRO, M. G; PEREIRA, G. R. M. Centros e Museus de Ciência, visões e experiências. São Paulo: Saraiva, 1988. pp. 21-25.
SANTOS, J. S. Estudando e conhecendo a pré-história. Campina Grande: EDUEP, 2005.

_______. Manual do espeleólogo. Campina Grande: EDUEO, 2003

SCHMITZ, P. I. Caçadores e coletores da pré-história do Brasil. São Leopoldo: instituto Anchieta de Pesquisas: 1984.

_______. O povoamento Pleistocênico do Brasil. México: Revista de Arqueologia Americana, 1990.

ZAHER, H. & YOUNG, P. S. As coleções zoológicas brasileiras: panorama e desafios. Ciência e Cultura, v.55. n.3. 2003. pp.24-26