Apresentação

Apresentação


Construindo e preservando a memória da cultura popular da Paraíba

O Museu de Arte Popular da Paraíba (MAPP), que tem como mantenedora a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB), destina-se a preservar e difundir as heranças da nossa musicalidade, das artes manuais, da literatura de cordel, da xilogravura e da cantoria, suas origens e miscigenações, assegurando no presente e futuro tudo aquilo que foi construído pelos paraibanos na construção de sua identidade.

Mais que espaço contemplativo, ancorado às margens do Açude Velho, o Museu de Arte Popular da Paraíba configura-se como um centro de estudos e documentação da cultura nordestina, especialmente a paraibana, tendo por abrigo o edifício projetado por Oscar Niemeyer [1907-2012], uma das suas últimas criações, cuja arquitetura já se incorporou à paisagem da cidade.

O MAPP está situado sobre uma praça, em uma borda do Açude, por sua arquitetura pensada de maneira a não prejudicar a visão do espelho d’água.
Composta por três edificações suspensas, a leveza do conjunto destaca sua plasticidade e funciona como uma escultura visível de todo o perímetro do Açude.
Os blocos cilíndricos envidraçados são ligados por uma plataforma e das diversas partes da edificação podem ser admirados o Açude e a cidade em seu entorno, constituindo uma atração a mais para o visitante.

Carinhosamente chamado pela população do ‘Museu dos Três Pandeiros’, por conta da sua forma, o equipamento é fruto da iniciativa e abnegação de muitas pessoas, que aceitaram o desafio de construir e incorporar à Universidade esta magnífica obra, que certamente se constituirá numa referência de cultura brasileira.

A Universidade, que possui como meta o ensino, a pesquisa e a extensão, tem no Museu a convergência desses valores, através do envolvimento de professores, estudantes e da comunidade, com programas que atendem estudos relacionados às várias faces da cultura popular, daí a decisão em estender as ações além das artes manuais, incorporando à sua atividade a música e a literatura, nos diferentes aspectos da sua economia material e imaterial, apresentadas em exposições, publicações, cursos e encontros, práticas e experiências, num espaço de bela e instigante arquitetura, que emociona e gratifica o olhar de quem o frequenta.

Para um melhor aproveitamento das exposições, a UEPB criou uma bolsa de trabalho para alunos da Instituição, que, treinados por meio da monitoria para essa tarefa, recebem os visitantes-estudantes, professores, turistas e, especialmente, os paraibanos. A ideia é que todos encontrem no Museu conhecimentos sobre a sua realidade histórica, tendo como fundo a paisagem bucólica das águas do Açude Velho, patrimônio histórico da cidade. Com isso a universidade cumpre uma das suas principais missões: ampliar o saber e o respeito pela cultura do povo.

Histórico do MAPP


A construção do Museu de Arte Popular da Paraíba (MAPP) foi um sonho e realização de muitos que tinham o objetivo de entregar à Campina Grande e ao seu povo um espaço que realçasse a beleza do já consagrado Cartão Postal da cidade, o Açude Velho, e que também contribuísse para a preservação da cultura nordestina, através do artesanato, dos cordéis e da música.

Após ser contatado várias vezes por importantes agentes políticos locais, que expuseram a intenção de dotar Campina Grande de um relevante equipamento cultural, capaz de engrandecer o município e elevar a principal referência paisagística da cidade, o mestre das curvas, Oscar Niemeyer, aceitou projetar a obra e, em dois dias, entregou um croqui e duas perspectivas do museu, material elaborado a partir da visualização de várias imagens do local que haviam sido repassadas para ele.

Com autorização de Niemeyer, os arquitetos Cydno Silveira e Luís Marçal fizeram o memorial da obra, sabedores da importância do Açude Velho e de como ele está vinculado à história da cidade e da região, como um bem histórico, inclusive tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico do Estado da Paraíba (Iphaep). A visão tranquila do Açude Velho, unida a uma obra de Niemeyer, garante à paisagem uma forte referência nacional.

O Museu de Arte Popular da Paraíba, mais que um lugar de preservação da memória, é um marco a separar uma nova mentalidade cultural urbanística da cidade. Não só pela sua arquitetura e engenharia de instigante imagem, mas pelo surgimento na paisagem de algo diferente, impossível de se imaginar, porque se trata de uma rara beleza resultante da junção da técnica e da arte.

Além da beleza da obra de concreto e vidro, o conjunto edificado atinge a sensibilidade do povo paraibano. Para que o museu não fosse apenas um edifício estagnado na paisagem, a Universidade Estadual da Paraíba (UEPB) assumiu seu destino, passando a ser responsável por sua construção e administração.

O MAPP dá visibilidade ao conjunto de obras musicais que valorizam a raiz paraibana e nordestina. Nele também estão as heranças folclóricas das quadrilhas, dos cocos, das Cirandas, lapinhas e pastoris, dos congos e reizados, além dos artesões, inventores e artistas populares, reconhecidos como valores essenciais da cultura nordestina. O museu reúne todo o conjunto de expressões que precisam de abrigo para se perpetuar e para o povo paraibano poder enxergar e se orgulhar das suas origens.

Cada um dos “pandeiros” do MAPP tem uma finalidade específica, mas intercomunicante pelas contiguidades, onde a música se relaciona às danças; as danças à dramaticidade e poesia do romanceiro e este à plasticidade de tudo aquilo que é feito pelas mãos dos artistas e artesãos. Cada um desses segmentos com as suas identidades separadas, mas juntas nas suas concepções museológicas, museográficas, didáticas e contemplativas, privilegiando inclusive a coleção Átila de Almeida de Literatura de Cordel, um dos maiores acervos do gênero no mundo, pertencente à UEPB e que se integra ao acervo permanente do Museu.

A concepção do MAPP deu ao Açude Velho uma obra digna, bela e instigante que faz ancorar em suas margens uma criação do futuro, com os pés no presente e no passado, e levantar a autoestima do campinense, do paraibano, do nordestino, trazendo uma referência de contemporaneidade à cidade para servir de parâmetro do que é uma arquitetura de qualidade, estimulando a construção civil local a espelhar-se nessa identidade, afastando-a dos equívocos arquiteturais.

Cydno Silveira e Luís Marçal

Arquitetos e coautores do projeto

*Texto editado.

Endereço

Rua Doutor Severino Cruz - Centro
Campina Grande - PB

Contato:

Telefone: (83) 3310-9738

Email: mapp@uepb.edu.br